DOSSIÊ 900+ · ENEM 2018

Tabuleiro n×n

19 de 588 pelo b do Inep 946 b do Inep
GABARITOD PARÂMETRO Bb 946 (Inep) · #19 CAUSA DOMINANTEModelagem probabilística

Uma leitura completa da questão: o que a torna difícil, onde está a decisão estratégica e como transformar esse raciocínio em repertório para outras questões.

QUESTÃO OFICIAL

ANTES DA ANÁLISE, FAÇA A QUESTÃO.

ENEM 2018 Caderno 7 · Azul Q154

Um designer de jogos planeja um jogo que faz uso de um tabuleiro de dimensão n × n, com n ≥ 2, no qual cada jogador, na sua vez, coloca uma peça sobre uma das casas vazias do tabuleiro. Quando uma peça é posicionada, a região formada pelas casas que estão na mesma linha ou coluna dessa peça é chamada de zona de combate dessa peça. Na figura está ilustrada a zona de combate de uma peça colocada em uma das casas de um tabuleiro de dimensão 8 × 8.

O tabuleiro deve ser dimensionado de forma que a probabilidade de se posicionar a segunda peça aleatoriamente, seguindo a regra do jogo, e esta ficar sobre a zona de combate da primeira, seja inferior a 15.

A dimensão mínima que o designer deve adotar para esse tabuleiro é

Figura da questão do ENEM 2018: tabuleiro 8 por 8 com uma peça marcada por ponto preto e sua zona de combate destacada na linha e na coluna.
ENEM 2018 · Caderno 7 Azul · Q154 · reconstrução vetorial fiel da figura da questão.Toque ou clique para ampliar.
A
4 × 4.
B
6 × 6.
C
9 × 9.
D
10 × 10.
E
11 × 11.

Transcrição editorial auditada a partir da prova oficial do ENEM.

DADOS DO INEP · ENEM 2018 · Q154

Acerto geral
18%
de 973 mil no caderno azul
Quem tira 700
21%
acerta
Quem tira 800
35%
acerta
Parâmetro b
946
valor do Inep

#19 de 588 · entre as 45. Microdados do ENEM 2018 (Inep). Retrato da prova aplicada, não previsão de nota.

APOIO VISUAL

A CASA OCUPADA NÃO ENTRA NO SORTEIO DA SEGUNDA PEÇA.

A linha e a coluna têm 2n−1 casas juntas, mas uma delas já está ocupada pela primeira peça. Para a segunda jogada, a zona de combate disponível tem 2n−2 casas.

Tabuleiro 8 por 8 com uma peça central e a linha e a coluna destacadas. A casa ocupada aparece separada das 14 casas vazias da zona de combate.
ENEM 2018 · Caderno 7 Azul · Q154 · reconstrução didática da zona de combate. Toque ou clique para ampliar.

MAPA DA QUESTÃO

ANTES DE RESOLVER, ENTENDA O TERRENO.

O QUE PARECE DIFÍCIL Uma probabilidade com n desconhecido

O tabuleiro é genérico e ainda há uma condição de probabilidade inferior a 1/5.

O QUE REALMENTE DECIDE Contar só casas disponíveis

O denominador é n²−1 e o numerador é 2n−2, pois a casa da primeira peça já está ocupada.

ONDE SE PERDE A QUESTÃO Usar 2n−1 no numerador

Linha + coluna contam a interseção uma vez, mas essa interseção não está disponível para a segunda peça.

IDENTIFICAÇÃO

A QUESTÃO EM UMA LINHA

Caderno
Caderno 7 · Azul
Questão
154
Gabarito
D
Conteúdo
Probabilidade · Álgebra
Subconteúdo
Espaço amostral · contagem em linha e coluna · inequação racional

DIFICULDADE

ONDE A DIFICULDADE REALMENTE MORA

PARÂMETRO Bb 946 (Inep) · #19#19 de 588 · entre as 45
CAUSA DOMINANTEModelagem probabilística

Como ler o b? É o parâmetro de dificuldade que o Inep calcula para cada questão, posto na escala da nota de Matemática. Perto dessa nota, um aluno passa a ter boa chance de acertar. Quanto maior o b, mais alta a nota de quem costuma acertar. A causa dominante, ao lado, é a leitura do Prof. Rafael sobre por que a questão é difícil; ela não entra na posição.

Também pesa: Contagem sem dupla contagem · simplificação algébrica · desigualdade estrita

POR QUE É DIFÍCIL?

A CONTA NÃO É O PRIMEIRO PROBLEMA

  • A figura induz a contar a linha e a coluna como 2n−1 casas. Essa quantidade descreve a cruz geométrica, mas não os casos favoráveis disponíveis para a segunda peça.
  • O espaço amostral também não é n²: depois da primeira jogada, sobram somente n²−1 casas vazias.
  • A fração parece gerar uma inequação racional trabalhosa, mas existe uma simplificação estrutural muito forte: n²−1 = (n−1)(n+1).

ANTES DA CONTA

Separe primeiro casos possíveis e casos favoráveis. A segunda peça pode ocupar qualquer uma das n²−1 casas vazias. Na mesma linha há n−1 casas vazias; na mesma coluna, outras n−1. Portanto, a zona de combate disponível contém 2n−2 casas.

n²−1
ESPAÇO AMOSTRAL casas vazias

uma casa já está ocupada

2n−2
CASOS FAVORÁVEIS (n−1)+(n−1)

mesma linha ou mesma coluna

< 1/5
REGRA DO JOGO 15

a desigualdade é estrita

Conte o que a segunda peça realmente pode ocupar. A casa da primeira peça aparece no desenho da zona, mas não pertence ao espaço amostral.

DICAS PROGRESSIVAS

ABRA SÓ O QUE PRECISAR

DICA 01

Depois da primeira peça ser posicionada, quantas casas continuam disponíveis para a segunda? Não use n² diretamente.

DICA 02

Na linha da primeira peça existem n−1 casas vazias; na coluna também. Some essas duas quantidades.

DICA 03

Fatore n²−1 = (n−1)(n+1) antes de resolver a desigualdade. A fração praticamente desaparece.

RESOLUÇÃO PADRÃO OURO

A FRAÇÃO FICA SIMPLES QUANDO A CONTAGEM ESTÁ CERTA

O desafio é menos “resolver uma inequação” e mais construir corretamente o numerador e o denominador.

  1. INTERPRETAR
    A segunda peça é sorteada somente entre as casas vazias. Logo, o espaço amostral possui n²−1 posições.
  2. ESTRUTURAR
    Para ficar na zona de combate, a segunda peça precisa estar na mesma linha ou na mesma coluna da primeira. Há n−1 casas vazias em cada direção, totalizando 2n−2 casos favoráveis.
  3. ESCOLHER ESTRATÉGIA
    Monte a probabilidade e simplifique antes de atacar a desigualdade: P = 2n − 2n² − 1. Como 2n − 2 = 2(n−1) e n² − 1 = (n−1)(n+1), temos P = 2n + 1.
  4. CALCULAR
    A condição é 2n + 1 < 15. Como n ≥ 2, o denominador é positivo. Então 10 < n + 1, isto é, n > 9. O menor inteiro possível é n = 10.
  5. CONFERIR
    Para n = 9, P = 210 = 15, mas a questão exige valor inferior a 15, então 9 × 9 não serve. Para n = 10, P = 211 < 15. Alternativa D — 10 × 10.

SEGUNDO CAMINHO

TESTE A FRONTEIRA DAS ALTERNATIVAS

Como as alternativas já fornecem valores de n, existe um caminho de prova muito rápido. Pela simplificação P = 2n + 1, teste a fronteira: para n = 9, P = 15, que não serve porque a condição é estrita. O próximo valor candidato é n = 10, e P = 211 < 15. Portanto, 10 × 10 é imediatamente a dimensão mínima.

NA PROVA EU FARIA ASSIM

1. Eu escreveria: total disponível = n²−1.

2. Zona disponível = 2(n−1).

3. Simplificaria para 2n + 1 < 15 → n > 9. Resposta: 10 × 10.

VOCÊ FEZ 90% DA QUESTÃO — E ERROU AQUI.

O erro mais perigoso é usar 2n−1 como número de casas favoráveis. Essa cruz inclui a própria casa da primeira peça. Como ela já está ocupada, a segunda peça não pode cair ali. O numerador correto é 2n−2.

DISTRATOR PRINCIPAL

IGNORAR QUE A DESIGUALDADE É ESTRITA

9 × 9 é o distrator mais forte. Para n = 9, a probabilidade é exatamente 15. Só que o enunciado pede probabilidade inferior a 15, não menor ou igual.

COMO RECONHECER UMA PARECIDA?

PRIMEIRA JOGADA MUDA O ESPAÇO AMOSTRAL

Em problemas de probabilidade depois de uma primeira escolha, pergunte sempre: o elemento já escolhido ainda faz parte do espaço amostral? Se não faz, tanto o total quanto os casos favoráveis podem mudar.

APRENDIZADO TRANSFERÍVEL

O QUE LEVAR PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

A técnica aparece em sorteios sem reposição, posições ocupadas, grafos, vizinhanças em grades e problemas de “mesma linha ou coluna”. Antes de usar uma fórmula de probabilidade, reconstrua o conjunto de resultados que ainda são realmente possíveis.

ESTRATÉGIA DE TEMPOA rota de prova é curta: n²−1, 2n−2, fatorar diferença de quadrados e testar a fronteira. Se aparecer 9 como candidato, lembre imediatamente: 15 não é inferior a 15.